A Cova dos Vermes Malditos



Local: casa da vovó.

Ano: 203X.

Essa noite eu fui visitar a minha avó, mas quando cheguei em sua casa, toda a rua se encontrava devastada, um cenário de guerra, as casas destruídas e crateras nas ruas, quando entrei na casa de vó, não encontrei ela nem vô nem ninguém, apenas uma horda de pequeninos vermes do tamanho de poodles, pareciam sanguessugas, tinham a carapaça cinzenta e bocas arredondadas com dentes trituradores em espiral, eu larguei as sacolas de compras que trazia e corri em disparada, mais e mais hordas daqueles vermes me perseguiram pela cidade, que agora estava toda devastada e caindo aos pedaços, subi a ladeira do Oip IX$, não senti as pernas cansando de tão desesperado que eu estava para chegar em casa.

E depois de muito correr, eu finalmente alcancei o condomínio, peguei a terceira rua e cheguei em casa, entrei pela porta lateral, coloquei os tijolos de concreto embaixo da porta, não encontrei meus pais em casa, vasculhei toda minha casa, nem sinal deles.

Voltando para a frente da casa eu me deparei com um lobo alto e cinzento, com óculos de sol, apesar de anoitecer, ele não parecia nem um pouco desesperado ou assustado com o desaparecimento súbito das pessoas na cidade:

— Aêê, mano, cê sabe onde eu tô?

— você está em XXXXXXX XX XXXXX.

— credo, que nome estranho XD

— o que você faz aqui, lobo?

— sabe, mano? eu vim te ajudar a matar as hordas de vermes, pode confiar em mim!

Disse o licantropo, sorrindo para mim e apontando para o próprio focinho com o polegar, fazendo uma pose de JoJo.

Não demorou muito para os vermes chegarem em casa, houve um estrondo e um baque aterrador no portão e nas paredes do muro, os vermes estavam gritando lá na rua.

— mas antes, a gente vai ter que matar essas porras! Toma aqui!

Ele me deu uma arma, que eu não soube dizer se era uma pistola ou um machado, era estranho. Mas veio à calhar.

Quando eu usei a arma, parecia que o Venom se apossou de mim, eu me transformei numa massa amorfa e simbiótica (um monstro, melhor dizendo) e estraçalhei os vermes malditos, um por um, emsegundos, o lobo apenas disparava balas de sua arma laser nos bichos enquanto posava para câmeras e uma platéia imaginária, como se fosse um ator de Hollywood, sorrindo com seus dentões tão brancos que pareciam dentaduras.

Quando me dei conta, minha casa parecia um coliseu, não haviam mais paredes nos lados, apenas o muro da frente e o portão desabado e pilhas daqueles vermes mortos, tudo sujo de sangue negro como enxofre.

Até que escureceu.

— ;3 é isso aí mano, parece que esses foram os últimos!

— sim, conseguimos!

— ei, olhe!

Ele apontou para algo atrás de mim.

Porra, tínhamos comemorado antes da hora, ainda tinha mais um bicho, dessa vez era uma criatura humanóide, pálida e toda torta, com um enorme buraco no lugar do rosto, com uma espiral eterna de dentes trituradores e uma gengiva amarelada, como se estivesse podre.

O monstro caminhava se requebrando todo, escutávamos seus estalos.

— rápido, @#$&! Pega ele!

O lobo gritou para mim, e eu fiz o que ele mandou, pulei em cima da criatura, tentando estrangulá-la com meus braços, pelas costas, mas não funcionou, a criatura era mais forte que um cachorro com raiva

Ele me chacoalhou, chacoalhou, até que se desvencilhou de mim, me jogando contra a parede.

E veio pra cima de mim, com suas garras, mas o lobo me salvou dando uma tijolada com um tijolo de concreto na cabeça dele, de repente sua cabeça de abriu virando uma espécie de flor de carne e dentes, igual um Demogorgon de Stranger Things e correu atrás do lobo que fugiu da minha casa, atraindo-o para longe de mim.

E eu desmaiei na frente de casa.

Quando eu acordei, a noite estava alta, o céu noturno estrelado como o quadro "Noite Estrelada" de Van Gogh, estava meio zonzo e então vi que toda a casa estava restaurada, como se nada tivesse acontecido.

Mas quando eu subi as escadas e entrei em casa, fui direto ao quarto dos meus pais, mas eles ainda não lá.

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