Na calada da noite
[— e então, fez o que lhe mandei, Helius?]
[— Mis.]
[— perfeito, agora vá descansar na cabana de cristal!]
[A estranha figura envolta sob um capuz se distancia de nosso querido anfitrião, o Sr. Krúcifer, ele era um estranho pássaro humanóide corporalmente andrógino, com feições humanas mescladas à "passarinhescas", suas sobrancelhas verdes iam até o cabelo da mesma cor, tinha penas verdes, azuis e brancas, que lembram as de um papagaio, que, observando o impecável trabalho de seu novo assistente, se debruça sobre um arco de flores trançadas, formando um muro (era um projeto de maquete), aproximando o nariz de um girassol Krúcifer inala seu perfume.]
[— ai, ai, ai, o frescor desse meu jardim impregna minhas narinas! Não tenho mais que sentir cheiros desagradáveis! Agora já é hora de ver como está meu novo-]
[Krúcifer fora interrompido por algo que deixou o seu semblante boquiaberto e abatido, os olhos esbugalhados,algo que lhe deixou16367229283646362627236363@$##&@&#+@(&+$-$...]
— Alô? Ah é o senhor Anthony Jacob? Que bom que o senhor atendeu! Te liguei por mais de trinta minutos! O quê? Se tenho o experimento aqui? Claro que tenho, mas o senhor vai ter que vir para minha casa, pois... O senhor sabe o porquê disso, não devemos nos repetir ou então eles podem nos ouvir... Oi? Senhor Anthony?... Droga, ele desligou na minha cara, nem se deu o trabalho de dizer "tchau"! Velho rabugento!
Um "toc toc" seco é ouvido bater na porta.
— quê...? Quem seria a essa hora da madrugada...? Tenho certeza que o senhor Anthony não é um velocista...
As batidas continuam, porém, acelerando gradativamente...
— QUEM ESTÁ AÍ?! DIGA QUE É OU EU CHAMAREI A POLÍCIA!
—...
Nada além de um silêncio seco e incômodo...
— É SEU ÚLTIMO AVISO, SEJA QUEM FOR QUE ESTIVER BATENDO NA MINHA PORTA!
Novamente o silêncio...
— CANSEI, TÔ LIGANDO PRA POLÍCIA, OUVIU BEM?!
A mão do garoto tremia quando ele correu em direção ao rack onde se encontrava seu telefone, o garoto ia discar o número da polícia, quando as batidas na porta ficaram mais aceleradas e brutas, que ele caiu no chão pelo susto.
— ME DEIXA EM PAZ, SEU MONSTROOOOO!!!
— AbSTeR oRloX GUeLdAn bRIsCa?
A pessoa na porta finalmente falou, mas era num idioma desconhecido. Sua voz era distorcida, alterando a entonação a cada sílaba, afinando e engrossando a voz, parecia um "bip" de computador longínquo ecoando num corredor estreito bem acústico.
— CHEGA, CALE A BOCA! ME DEIXA EM PAAAAAZ!
O garoto já estava derramando lágrimas e tremendo no chão, com o telefone no ouvido, quando uma voz familiar soou na outra linha.
— senhor? Senhor? Qual é a sua emergência?
— atendente?! Graças a Deus, por favor, MANDE A POLÍCIA VIR PARA CÁ! TEM UM MALUCO TENTANDO INVADIR MINHA CASA! SOCORRO, PELO AMOR DE CRISTO!
— senhor, acalme-se, diga-me sua localização!
— claro, claro, senhora! Rua XXXX-XXXX-XXXX número XXX, esquina com a...
As batidas recomeçaram, mas dessa vez a porta foi derrubada, o estrondo da porta caindo no chão reverberou por toda a casa como um seco disparo de uma espingarda com o cano esburacado e o final cheio de rebarbas, houve latidos de cães do lado fora da casa, substituídos por ganidos tristes distanciando-se lentamente...
— AAAAAAAAAH! SENHORA, VEM LOGO, POR DEUS, POR TUDO O QUE FOR MAIS SAGRADO!
— senhor? Já avisei para a delegacia mais próxima, eles devem chegar aí em menos de uma hora, aguente firme!
— AGUENTAR? EU NÃO TENHO MAIS NEM UM MINUTO, ELE... ELE... ELE JÁ ESTÁ AQUI...
O pobre garoto empalideceu com a visão daquela "pessoa" (se é que dá para chamar assim), aquilo tinha a face toda retalhada com dezenas de olhinhos por dentro dos rasgos descosturados, e dentes afiados nos cortes do rosto, que formavam uma espiral.
— s-senhor? O que aconteceu?
— ele... Ele é horrendo... AAAAAH-
A linha caiu deixando um som monótono e repetitivo rolar ao telefone, e a atendente confusa do outro lado da linha.
"EXTRA! EXTRA! EXTRA! O corpo de um jovem garoto ruivo fora encontrado em sua casa, desfigurado e com marcas de garras em todo seu abdômen, o rosto mutilado, e várias giletes cravadas em sua garganta.
As mutilações formavam frases em uma língua desconhecida, que logo depois foram analisadas minuciosamente, e descobriu-se que eram um código em inglês, colocado de trás para frente, que dizia assim: "volte daqui um ano, e você terá o seu prêmio".
A polícia ainda não tem muitas informações, acompanhem os jornais nos próximos dias..."
Comentários
Postar um comentário